dezembro 26, 2003

Smile 56

Em conversa com o irmão mais novo de um amigo, cheguei a uma triste conclusão.
A juventude de hoje, na faixa que vai até aos 20 anos, está perdida.
E está perdida porque não conhece os grandes valores que orientaram os que hoje rondam os trinta.
O grande choque, entre outros nessa conversa, foi quando lhe falei no Tom Sawyer.
“Quem?”, perguntou ele. Quem?! Ele não sabe quem é o Tom Sawyer! Meu Deus…
Como é que ele consegue viver com ele mesmo? A própria música: “Tu que andas sempre descalço, Tom Sawyer, junto ao rio a passear, Tom Sawyer, mil amigos deixarás, aqui e além…” era para ele como o hino senegalês cantado em mandarim.
Claro que depois dessa surpresa, ocorreu-me que provavelmente ele não conhece outros ícones da juventude de outrora. O D’Artacão, esse herói canídeo, que estava apaixonado por uma caniche; Sebastien et le Soleil, combatendo os terríveis Olmecs; Galáctica, que acalentava os sonhos dos jovens, com as suas naves triangulares; O Automan, com o seu Lamborghini que dava curvas a noventa graus; O mítico Homem da Atlântida, com o Patrick Duffy e as suas membranas no meio dos dedos; A Super-Mulher, heroína que nos prendia à televisão só para a ver mudar de roupa (era às voltas, lembram-se?); O Barco do Amor, que apesar de agora reposto na Sic Radical, não é a mesma coisa. Naquela altura era actual…; E para acabar a lista, a mais clássica de todas as séries, e que marcou mais gente numa só geração: O Verão Azul.
Ora bem, quem não conhece o Verão Azul merece morrer. Quem não chorou com a morte do velho Shanquete, não merece o ar que respira. Quem, meu Deus, não sabe assobiar a música do genérico, não anda cá a fazer nada.
Depois há toda uma série de situações pelas quais estes jovens não passaram, o que os torna fracos. Ele nunca subiu a uma árvore! E pior, nunca caiu de uma. É um mole. Ele não viveu a sua infância a sonhar que um dia ia ser duplo de cinema. Ele não se transformava num super-herói quando brincava com os amigos. Ele não fazia guerras de cartuchos, com os canudos que roubávamos nas obras e que depois personalizávamos. Aliás, para ele é inconcebível que se vá a uma obra. Ele nunca roubou chocolates no Pingo-Doce. O Bate-pé para ele é marcar o ritmo de uma canção.
Confesso, senti-me velho…
Esta juventude de hoje está a crescer à frente de um computador. Tudo bem, por mim estão na boa, mas é que se houver uma situação de perigo real, em que tenham de fugir de algum sítio ou de alguma catástrofe, eles vão ficar à toa, à procura do comando da Playstation e a gritar pela Lara Croft. Óbvio, nunca caíram quando eram mais novos. Nunca fizeram feridas, nunca andaram a fazer corridas de bicicleta uns contra os outros. Hoje, se um miúdo cai, está pelo menos dois dias no hospital, a levar pontos e a fazer exames a possíveis infecções, e depois está dois meses em casa a fazer tratamento a uma doença que lhe descobriram por ter caído. Doenças com nomes tipo “Moleculum infanticus”, que não existiam antigamente. No meu tempo, se um gajo dava um malho (muitas vezes chamado de “terno”) nem via se havia sangue, e se houvesse, não era nada que um bocado de terra espalhada por cima não estancasse. Eu hoje já nem vejo as mães virem à rua buscar os putos pelas orelhas, porque eles estavam a jogar à bola com os ténis novos. Um gajo na altura aprendia a viver com o perigo. Havia uma hipótese real de se entrar na droga, de se engravidar uma miúda com 14 anos, de apanharmos tétano num prego enferrujado, de se ser raptado quando se apanhava boleia para ir para a praia. E sabíamos viver com isso. Não estamos cá? Não somos até a geração que possivelmente atinge objectivos maiores com menos idade? E ainda nos chamavam geração “rasca”… Nós éramos mais a geração “à rasca”, isso sim. Sempre à rasca de dinheiro, sempre à rasca para passar de ano, sempre à rasca para entrar na universidade, sempre à rasca a ver se a namorada estava grávida, sempre à rasca para tirar a carta, para o pai emprestar o carro. Agora não falta nada aos putos. Eu, para ter um mísero Spectrum 48K, tive que pedir à família toda para se juntar e para servir de prenda de anos e Natal, tudo junto. Hoje, ele é Playstation, PC, telemóvel, portátil, Gameboy, tudo. Claro, pede-se a um chavalo de 14 anos para dar uma volta de bicicleta e ele pergunta onde é que se mete a moeda, ou quantos bytes de RAM tem aquela versão da bicicleta.
Com tanta protecção que se quis dar à juventude de hoje, só se conseguiu que 8 em cada dez putos sejam cromos. Antes, só havia um cromo por turma. Era o tóto de óculos, que levava porrada de todos, que não podia jogar à bola e que não tinha namoradas. É certo que depois veio a ser líder de algum partido, ou gerente de alguma empresa de computadores, mas não curtiu nada. Hoje, se um puto é normal, ou seja, não tem óculos, nem aparelho nos dentes, as miúdas andam atrás dele, anda de bicicleta e fica na rua até às dez da noite, os outros são proibidos de se dar com ele.
Valha-me Deus. “What’s wrong with the world, momma?”

Publicado por Pikes em 11:54 AM | Comentários (3)

dezembro 24, 2003

Smile 55

A espécie de que vos vou falar tem a capacidade de me irritar profundamente. Bom, também não é assim tanto, mas eu gosto de implicar.
O ser em causa, abundante no nosso país, funciona como as espécies migratórias. Só aparece de vez em quando, mas quando aparece, é tipo praga.
O emigrante.
Existem dois grandes géneros de emigrante. O que, segundo a verdadeira assepção da palavra, vai para o estrangeiro trabalhar, e sobre o qual não me vou estender (a não ser que seja uma gaja, boa, e aí não perco uma oportunidade de me estender sobre…), e o segundo género, o chamado Avec.
Ora o género do Avec divide-se em sub-géneros. O primeiro, o Avec que foi há muitos anos para França, é talvez o mais irritante. Uma das suas principais características é a de não falar português. Porque não quer. Quando vem a Portugal, mesmo já dentro do avião – que ainda por cima é da TAP – já só fala francês. Bem, francês, francês, não será, mas é algo do género. Amigo Avec, se a merda do avião é português, de uma companhia portuguesa e com tripulantes portugueses, porquê falar noutra língua? Caro Avec, deixa-me que te dê uma pequena explicação. Falar assim no avião não dá estilo. Pelo contrário. Faz com que os tripulantes se divirtam durante a viagem. É vê-los lutar uns com os outros para ir atender-vos. Porque se divertem.
Existe uma pequena variante deste tipo de Avec. O que vem de carro. Claro que raramente o carro é deles. O hábito é alugar um carro de gama alta e pavonear-se com ele pelas estradas como se fosse seu. Amigo Avec, mais uma vez te elucido. Não dá estilo. Pelo menos retira o autocolante a dizer que o carro é de aluguer. Sempre disfarça. Claro que se percebe na mesma que o carro não é teu, basta ver-te lá dentro a tentar perceber como é que funcionam a maior parte dos botões, que para ti são estranhíssimos. Tudo o que vá além do On, Off e Start é já tecnologia de ponta ao alcance de apenas alguns dotados. Práctica comum aos que, seja de avião ou de carro, cá chegam, é agir como donos do mundo. Quem é que querem enganar? A malta sabe que quando foram para França o intuito era fugir à guerra ou procurar uma vida melhor, já que cá não se safavam. Até aqui tudo bem. A questão é que foram para lá com a 4ª classe, e muitas vezes com pouca habilitação fosse para o que fosse. Sendo assim, e sendo também que, pelo menos em cada três famílias uma tem emigrantes, não deve haver quase ninguém que não saiba as profissões predominantes na vossa classe. Entre trolhas, pintores da construção civil, domésticas, empregadas de restaurantes, empregadas de limpeza de casas-de-banho, e outras do estilo, não me parece que tenham uma vida muito descansada. Tudo bem, podem-me dizer: “Mas Pikes, são profissões tão dignas como as outras.”. Ao que eu digo: “Então porque é que só quem não as tem é que diz isso?”. Esta resposta é do mais hipócrita possível. Então se os Avecs achassem essas profissões dignas, não se tinham ido embora, arranjavam-nas cá. É que eles matam-se a trabalhar nos países para onde vão, mas cá recusam-se a trabalhar nas obras. Bom, mas isso é outra questão, daqui a pouco estou a falar a sério.
Mais um dos sub-géneros de Avec, é o que vem de carro, mas não chega cá. É aquele que fica numa auto-estrada espanhola, espalmado contra um camião ou um autocarro (de emigrantes). Este tipo de Avec não me chateia muito, devo admitir. Mas o que vem no autocarro já é diferente. Se tem a sorte de cá chegar inteiro, vem a viagem toda a dar cabo do juízo dos que, infortunados, não são Avecs mas viajam naquele autocarro. Querem parar em todo o lado, passam a vida à rasca para mijar, não se calam, falam alto e os cabrões dos putos são autênticos discípulos do Demo. Depois há a sande. A puta da sande de carne assada. Gordurosa, com molho, a sujar todo o incauto que se atreva a estar a menos de cinco metros da besta que a degluta.
As sandes moem-me. A sério. Nem vou falar mais delas. E porque é que ninguém lhes explica que existem outras formas de transportar a roupa e os pertences sem ser em sacos de plástico?
Finalmente, o último sub-género de Avec. O filho. O filho do Avec é do piorio. Não lhes poder bater ainda me custa mais. Cabrões dos putos são malcriados, burros e têm a mania que são mais espertos que os outros.
Esta vertente de Avec é no entanto a minha esperança. Se Deus quiser, quando forem mais velhos, já não voltam.
É o comportamento em Portugal que homogeniza todos estes sub-géneros.
Fingem não conseguir falar português, mas falam um francês ridículo. Se em França não falam bem francês, e depois vêm para Portugal e falam mal português, o que é que eles falam? Nada. Finalmente, a pièce de resistance. As coisas em França são sempre melhores. Não há nada cá que seja melhor do que em França, segundo eles.
Se alguém cospe para o chão: “Ai, lá na France não se cospe para o chão, é proibido.”. Se está fila para a caixa do supermercado: “Ai, lá na France nunca há filas, o atendimento é muito melhor.”. Se um gajo tem uns ténis novos no mercado: “Ai, lá na France esses ténis já saíram há muito tempo.”. Eles chegam ao ponto de nem ouvir o que estamos a dizer. Vêm programados para responder sempre que lá na France é melhor. Eu acho que se dissesse que fui fazer um exame à prostata e que o médico tinha um dedo com vinte centímetros, eles diziam logo que lá na France os dedos dos médicos têm sempre no mínimo 40 centímetros. Porra, raios partam a France! E ainda por cima tiraram-nos a única hipótese que alguma vez tivemos de ser campeões da Europa em futebol!
O Avec é definitivamente um ser irritante. E por amor de Deus, meia branca de algodão não fica bem! Levar garrafões de vinho e arcas Camping Gaz cheias de cerveja e frango assado para a praia é bimbo! Ir a restaurantes caros e dizer que não se sabe para que é tanto talher não é de bom tom! Fazer barulho a comer a sopa é feio!
Resumindo, fiquem na France, a fazer o que quer que seja que fazem, e poupem-nos!
Muito mais teria para dizer, mas este site é português. Se fosse na France, dava para escrever muito mais…

Publicado por Pikes em 04:59 PM | Comentários (1)

dezembro 23, 2003

Smile 54

Cheguei, após árdua e exaustiva investigação, à seguinte conclusão:
O Papa é um boneco!
Anos e anos de estudo, de profundas investigações, de missões como infiltrado e até de grandes riscos de vida, qual James Bond à portuguesa, tipo Zé Gato (mítico “Quem és tu, Zé Gato?”), levaram-me a descobrir a grande farsa que tem atingido toda uma horda de cristãos pelo mundo fora. Existe uma organização que leva as pessoas a crerem que na realidade existe um Papa que representa Deus na terra.
Essa organização, composta por vários elementos que usam umas vestes até aos pés, normalmente vermelhas (a cor define a hierarquia dentro da organização), costuma reunir-se muito raramente, só quando o Papa morre. Nessa altura, juntam-se todos para uma tarde de poker, com os seus charutos e garrafas de whisky. Ali ficam eles, durante horas, a fumar e a beber até que se acabam os charutos. Nessa altura, e já com a bebedeira, começam a tentar fumar o que têm à mão, o que muitas vezes, ao queimar, acaba por fazer fumo branco. É então que se apercebem que já não têm mais tabaco e saem para comprar. O povo, que se junta à volta do local de jogo, convence-se que chegaram a uma conclusão. Eles, para não dar bandeira, dizem que já elegeram o novo Papa.
Aqui surge a questão da eleição do Papa. Na maior parte das vezes é o que ficou a perder mais dinheiro, já que a condição de Papa lhe vai permitir encher-se de dinheiro, viver num palacete de luxo e rodear-se de toda uma parafernália de mordomias. É como um prémio de consolação. Claro que tem os seus contras. Por isso é que nem todos querem ser o Papa. Tem que andar pelo mundo fora, falar 350 línguas diferentes e, o pior, tem que dar beijos no chão. É tipo jogador da bola quando entra em campo. Toca no chão e benze-se, para o jogo lhe correr bem. O Papa beija logo o chão directamente, para não sofrer nenhum atentado. Há pouco tempo este ritual foi abandonado. O Papa bastas vezes se começou a desequilibrar e de cada vez que tentava beijar o chão, dava com tanta força no asfalto do aeroporto que a placa dentária já se começava a deformar.
Este último Papa, apesar de ter uma figura simpática, era um ícone no seio religioso. Não por ser o Papa, mas porque é conhecido como o “Sete-Vidas”. Já nos tempos em que ainda não era Papa era conhecido pela sua sorte em se safar de morrer. Em algumas rixas entre gangs, conseguiu sempre safar-se do pior.
Certa vez, em 1948, numa rixa de rua entre católicos e muçulmanos, frequentes na altura, um certo Khomeini chegou mesmo a esfaquear o jovem Karol, mas este, sempre com presença de espírito, conseguiu escapar, gritando “Ainda havemos de nos encontrar!”. Anos depois, voltaram a encontrar-se, cada um deles como líder da sua organização.
Hoje, apesar da esperança que os crentes ainda depositam numa recuperação, o Papa está acabado. É apenas o testa de ferro da organização. Veja-se que ele nunca se mexe muito. É o efeito das drogas. Como a todos os que se tornam sobre-humanos, tipo jogadores de futebol, actores e outros que sobem demasiado na vida, o Papa caiu nas malhas da cocaína. Sempre com a moca, atente-se na forma como fala, este Papa está agora apenas à espera do fim. Há até quem testemunhe que quando o estão a vestir para as suas missas ele vai gritando: “Deslargerem-me! O que é estra merdier?! Eu já malr me consigure mexere, e ainda me meterem montesh de catrapázios em cima!”.
Há outras organizações que já investiguei e cujos resultados faço questão de partilhar.
Uma delas é a organização mais temida e mais perigosa para os portugueses. Uma série de malfeitores estão empenhados em tirar-nos tudo o que temos, de uma forma que não nos dá margem para escapar. Falo dessa organização criminosa que vulgarmente é referida como Governo… Fica para a próxima!

Publicado por Pikes em 05:53 PM | Comentários (1)

Smile 53

A expressão “vida de cão” é um completo engano.
Quando a vida não anda a correr bem a alguém, normalmente a queixa é “ando com uma vida de cão”. Ora meus amigos, vós tendes noção do que é uma vida de cão?
Passo a explicar. Não se trabalha. Logo aqui há um factor determinante para a vida de cão ser melhor que a nossa. Será então que quando alguém diz que tem uma vida de cão, quer na realidade dizer que para além de não trabalhar, passa o dia deitado, a dormir, só se levanta para comer ou ter sexo e de vez em quando ainda lhe passam a mão pelo pêlo?
Depois há a questão do sexo. Não é preciso levar as cadelas a jantar fora e gastar um balúrdio para as convencer que somos uns gajos porreiros, sensíveis e atentos só para as levar para o saco. Imaginem um tipo ver uma gaja boa, ir lá, dar-lhe uma cheiradela no pipi e aqui vai disto. E depois nem é preciso trocar números de telefone. Segue para outra. Até comida se arranja sem dificuldade.
Tudo bem, há aquela questão da rotalhice. Os cães são todos um bocado rotos. Cheiram os tomates uns aos outros e de vez em quando tentar papar um amigo, mas não se pode ser perfeito.
E mais, basta ladrar um bocado e ninguém se aproxima. Mesmo os cães de guarda não têm muito que fazer. Se por acaso virem um ladrão só têm que ladrar. Se mesmo assim o ladrão entrar e roubar a casa, o que é que o cão podia fazer? Gritar a um tipo armado: “Alto ou eu mordo-te!”. Já um segurança humano corre riscos muito maiores. Tem que fazer qualquer coisa, nem que seja chamar a polícia e arrisca-se sempre a levar um balázio. Agora a um cão ninguém vai fazer mal. O pessoal tem smpre aquela cena de gostar dos cães. Nunca vi nenhum ladrão ter uma cena de gostar de seguranças.
Já os gatos têm uma vida ainda melhor que os cães. Esses sim, são os maiores. Não fazem mesmo nada, nem vão buscar as merdas que os donos obrigam os cães a ir apanhar, tipo a brincadeira do “busca”. Então não é uma estupidez fazer o desgraçado do cão andar para trás e para a frente a ir buscar um pau? “Busca Bobi!”, e lá vai o pau. O Bobi, na sua boa vontade, vai buscá-lo e trá-lo ao dono. Porque é que a besta o manda outra vez para longe? O bicho, coitado, há-de pensar: “Então ó meu cabrão, acabei de ir longe como os cornos apanhar a merda do pau que tu, feito camelo, mandaste e agora que to trago, mandas outra vez?! E se fosses gozar com o caralho, meu paneleiro?!”. Está bem, se calhar o cão não pensa isto, mas é uma forte possibilidade. Mas o gato… o gato sim, é o rei. É que enquanto o pobre do cão está naquele vai e vem com o pau, o gato normalmente está deitado, a curtir a cena.
Imagino a conversa entre os dois (conversa mental, porque eu acredito que os cães e os gatos comunicam telepaticamente…):
- Bolas, este urso não pára com o pau um segundo.
- É fodido…
- Já viste que de cada vez que lhe trago o pau, ele o manda para mais longe ainda?
- Não sejas parvo. Eu já tinha bazado.
- Pois, não és tu que levas com o jornal na peida.
- Cada macaco no seu galho. A miúda queria um gato…
- E eu é que me fodi, porque o puto queria um cão para brincar e agora o pai não me larga a labita.
- Azar. Mas confesso que estou a curtir à brava ver-te aí a andar para trás e para a frente.
- Põe-te com merdas e ainda me vingo em ti.
- Ei, calma lá. Vê lá se ainda tenho que te gatafunhar uma vista!
- Já te avisei, estás aqui estás com uma coleira de dentes!
- Nem Pastores Alemães, quando mais um rafeiro!
- EU NÃO SOU RAFEIRO!! Sou arraçado…
- És arraçado de rafeiro com rafeira. Eh eh.
- Tu é que pediste!
- Miau! Miau!
- Auf! Auf!
- Bobi, larga já o Tareco. Tu queres ver que levas com o jornal?!
- Ó pai, o Bobi está a tentar morder o meu gato! Rui, chama já o teu cão senão dou-lhe com um pau!
- Atreve-te ó estúpida! Quem te manda ter um gato nojento?!
- Ó pai, o Rui chamou nojento ao meu gato! Buáá!!
- Rui, não chateies a tua irmã!
- Mas ela disse que dava com um pau no Bobi! Buáá!
- Pronto, agora é que arranjaste a bonita. Já puseste os dois putos a chorar. Não sabias estar sossegado a ir buscar e levar o pau?
- E eu tenho alguma culpa?! Estavas a chatear-me! Cain! Cain!
- Estás a ver? Agora levas com o jornal…
- E a culpa é tua. Deixa estar que logo à noite já te fodo o caixote onde cagas!
- Ei, olha lá essa merda. O meu caixote é sagrado!

É por isto que eu gosto de gatos.
Nunca consigo é comer um inteiro…

Publicado por Pikes em 02:35 PM | Comentários (1)

dezembro 22, 2003

Smile 52

Existem determinados programas de televisão que têm um pequeno círculo vermelho no canto superior direito (esquerdo para quem está a ver de dentro…), que até há uns dias não me aquecia nem me arrefecia. Esse pequeno círculo não era para mim mais do que um estímulo para assistir ao programa em causa.
Quando via alguma coisa na televisão com a conhecida bolinha, era certo e sabido que a audiência ia subir pelo menos durante cinco minutos. Era uma questão de tempo até aparecer uma cena com porrada de três em pipa, gajas nuas ou acidentes, que é o que o pessoal gosta sempre de ver.
Mas eis que cometo um grande erro e descubro que afinal a bolinha serve mesmo para nos avisar que aquilo a que se vai assistir pode realmente ferir a nossa susceptibilidade. O meu erro foi ter visto, já a altas horas, o “Ou Bai Ou Rocha”!
Meu Deus…
Os primeiros dois minutos ainda me deixaram na dúvida. “Vamos lá ver o que isto dá…”, pensei eu, ingenuamente. Depois veio o choque. As náuseas, o não querer acreditar no que via, o sufoco, a sensação de impotência para sequer mudar de canal.
Foi horrível. Eu, que já tinha assistido a programas realmente pesados do ponto de vista das imagens: o massacre de Díli, os linchamentos públicos, as guerras, a Lili Caneças a apresentar programas, violações, cenas em cadeias brasileiras, assaltos em directo, e sim, uma vez eu vi o Big Brother IV, essa talvez a minha grande loucura. Bom, mas aí estava sob o efeito de drogas, por isso é que consegui aguentar até ao fim.
Mas isto?! É demais! Não é possível! Como é que uma coisa daquelas passa na televisão?! Já não há ética? Já vale tudo? Mas o pior nem é isso, porque erros todos temos o direito de cometer. Ao falar com um amigo sobre o progr…. o…..aham….bom, aquilo, ele disse-me que aquilo já estava a no ar há algum tempo!
Não posso!
Tudo bem, o Fernando Rocha até conta bem as anedotas. Algumas até ficam bastante engraçadas, contadas por ele, mas atenção. Há limites. O homem era electricista. Não é um animal televisivo. Ou melhor, é um animal televisisvo! Literalmente. E o que é que se passa com o gajo que finge que trabalha no bar? Eu acho que há ali qualquer coisa que não bate bem… A tipa que finge que é empregada é…é…quer dizer….dói. Dói ver aquelas figuras. Desculpem mas dói cá dentro. Depois vem uma kosovar fazer strip. Assim, sem mais nem menos. Do nada. Chega ali, despe-se enquanto faz acrobacias no poste e pronto. Está feito. Claro, também não estava à espera que ela a seguir desse uma conferência sobre energia nuclear, mas porquê? Porque é que ela ali aparece sem mais nem menos? Não me interpretem mal, eu gosto de ver strip. Mas aquilo não faz sentido.
Depois há os convidados. Ali estão eles, sentados no bar, a beber uma bejeca, e o outro conta uma anedota mais velha que o car….aham…muito velha, dá-lhe um aperto de mão, faz-lhe duas ou três perguntas absurdas e já está.
Devo dizer que não estava à espera disto. Não estava. Este canal até tem o “Levanta-te e Ri”, pioneiro em Portugal no género, e depois pregam com isto no ar?
Realmente, o director daquele canal deve andar muito distraído. Cá para mim ele é mesmo, nas palavras imortais do Bruno Nogueira, o senhor do bolo.
Em vez de termos o Gato Fedorento na Sic Radical, talvez se devesse dar mais atenção a esse tipo de humor e se desse uma oportunidade aos moços que realmente têm piada e se trocasse. O Gato Fedorento passava a ter um programa na SIC e o “Ou Bai Ou Rocha” passava a dar no Sic Gold, às quatro e meia da manhã, de quinze em quinze dias, só com transmissão para a ilha Terceira, dobrado em Checo. A merda era a mesma, mas ao menos não se percebia o que eles dizem…
Sim, o “Ou Bai Ou Rocha” é definitivamente um sério candidato ao primeiro lugar da tabela “Os Cinco Programas Mais Estúpidos do Mundo”.

Publicado por Pikes em 04:51 PM | Comentários (1)

dezembro 18, 2003

Smile 51

Ode ao Secador de Mãos das Casas-de-Banho Públicas

Tu que pendurado na parede
Sopras e me secas as mãos
Quem te monta nem sempre te mede
E às vezes me sopras os colhãos
A fila de espera pelo calor
Chega a ser de dois ou três
E há sempre um ou outro estupor
Que seca as mãos mais de uma vez
E mesmo aqueles que te ignoram
E que saem de mãos a abanar
Sabem no fundo que te adoram
Mesmo secando as mãos ao ar
Às vezes ligo-te no botão
Outras ligas-te sozinho
Passo-te por debaixo a mão
E logo vem o ar quentinho
Às vezes enganas a gente
Sem cumprir o teu trabalho
Quando espero teu ar quente
Manda-lo frio como o ca……
Mas quero que saibas, aparelho,
Agradeço a quem te inventou
Quando um dia for já velho
Com as mãos que teu ar secou!

Publicado por Pikes em 02:24 PM | Comentários (4)

dezembro 04, 2003

Smile 50

Já não escrevo há algum tempo.
Estou de férias...No Brasil...Dói, não dói?
Pois é, mas em compensação tenho muitas coisas novas para escrever.
Vão pensando nas músicas brasileiras, e suas respectivas coreografias.
Ah, e na palavra mais utilizada no Brasil: "Oi?".
Sim, pode-se dizer o que se quiser, perguntar o que se quiser, que a resposta será sempre a mesma: "Oi?". Até chateia!
Agora vou apanhar sol, adeus.

Publicado por Pikes em 05:40 PM | Comentários (2)